Dinheiro e Lastro

Por esses dias, estava explicando a um colega os benefícios do uso dos bitcoins e de sua popularização e disseminação mundo a fora.
Quando mencionei que com BitCoin seria impossível “fabricar” mais bitcoins pois seu número de moedas é limitado por algoritmos computacionais, e que isso iria acabar com o modelo bancário que temos hoje em dia, pois somente o proprietário do dinheiro poderia emprestá-lo e cobrar juros por ele, evitando a multiplicação do dinheiro sem lastro, gerando assim inflação, recebi uma argumentação surpreendente:

“Mas Bitcoin não é lastreado em nada? Por que dar valor a uma coisa sem lastro?”
Pode até não ser tão surpreendente assim pois muita das pessoas não tem conhecimento sobre a maquina financeira mundial, mas me surpreendeu por essa argumentação vir de uma pessoa coordenadora de área de uma grande instituição financeira e por isso resolvi escrever este artigo

 

Afinal, O que é lastro?

Economicamente falando, lastro significa a garantia implícita de um ativo.
Ex: Um contrato de imóvel é apenas um papel porém é lastreado em um imóvel físico que é a garantia do não cumprimento do contrato, é isso que dá valor ao papel.
Mas vamos primeiramente entender a adoção do papel moeda.

 

A adoção ao papel-moeda

Após a era dos impérios e até um pouco depois da realização das grandes navegações, toda a riqueza era adquirida e trocada através de moedas de ouro e prata.
Como a descoberta das américas, a Europa recebeu uma imensa quantidade de ouro vindo do recém descoberto continente. Isso causou um efeito inflacionário em todo velho continente! Era muito mais ouro que se podia gastar, não havia produtos suficientes para tanto ouro em circulação.

Quem se deu bem nessa história foi a Inglaterra, que em plena evolução Industrial tinha os produtos que literalmente “valiam ouro”, sua moeda de troca já era o nosso famoso “papel-moeda”.

 

O lastro-ouro
Segundo David Hume, criador da teoria lastro-ouro, um papel-moeda necessitava ter um limite, e esse limite deveria ser a reserva de ouro do banco ou da entidade financeira local. Essa teoria foi adotada em toda Ingraterra, a libra era feita de papel, porém lastreada em ouro e poderia ser convertida em ouro em qualquer banco do país.

De acordo com a teoria aplicada ao comércio internacional os países superavitários sofreriam processos inflacionários, enquanto que nos países deficitários os preços se moveriam em sentido inverso, até que se restabelecesse o equilíbrio.

Operando no regime de padrão-ouro, o banco central de cada país deveria manter uma grande parte de seus ativos de reserva internacional sob a forma de ouro. As diferenças entre as reservas de ouro sob a propriedade de cada país refletia, portanto, as suas necessidades comerciais. Isto porque, nesse padrão, os fluxos de ouro financiavam os desequilíbrios nas balanças de pagamentos de cada país. Se um país fosse deficitário em sua balança de pagamentos, isto é, se a soma de bens e serviços importados do exterior fosse superior à soma de bens e serviços exportados pelo país, este deveria corrigir o déficit exportando ouro. Os países superavitários, por sua vez, tornavam-se importadores de ouro.

O Padrão-ouro vigorou de 1870 até 1914 com o inicio da primeira Guerra Mundial, período em que o Reino Unido era a potência hegemônico e impunha esse padrão aos demais países que tinham alianças comerciais.

Com o fim da primeira guerra, os EUA surgem como nação dominante e o padrão libra-ouro (1870 – 1914) dá lugar ao padrão dólar-ouro .

 

O fim do padrão Ouro

Em 1971, os EUA extingue o lastro de sua moeda ao OURO e passa a criar papel moeda de forma totalmente livre. Nessa nova teoria adotada pelos EUA, a base econômica para a fabricação de papel-moeda não deveria ser o Ouro e sim o conjunto de todas riquezas produzidas no País (o que conhecemos como PIB).
Porém, essa teoria não impede que eventuais intervenções possam ser tomadas pelos bancos centrais e é o que vemos acontecer em diversos países mundo a fora (inclusive aqui no Brasil). A geração de dinheiro incontrolável, sem base em nenhuma matéria natural, como o ouro, ou em algum conjunto de riquezas só gera Inflação.

Não adianta possuir dinheiro sem que existam produtos suficientes que possam ser adquiridos. O papel moeda como conhecemos hoje só tem valor por que pode ser trocado por produtos e serviços, não existe nenhum tipo de lastro.

BitCoins e por que você deve multiplicar seu dinheiro hoje!

Quando estava na faculdade de tecnologia muito ouvia falar em Moeda Digital, mas nunca tive interesse pela mesma já que achava algo inseguro e totalmente proveitoso para o emissor (já que as moedas digitais eram sempre feitas por alguma entidade bancária ou governo com o intuito de se aproveitarem da tecnologia)

Depois de um tempo longe da faculdade ouvi rumores do lançamento do BitCoin, e de novo não me interessei pois em minha cabeça era mais uma moeda digital qualquer da época. O que não sabia era que BitCoins é muito mais do que isso e que iria dominar o mercado digital. Hoje é fato que os BitCoins dominam o mercado digital e não para por ai. BitCoins irá dominar o mundo! (Estaria eu sendo Idealista demais?)

Mas por que BitCoin é diferente das demais moedas que conheci na época, e por que domina hoje o mercado digital?

  1. Descentralização
    BitCoin é uma moeda descentralizada, não é propriedade de nenhum governo ou empresa ou agência reguladora. BitCoin é do povo para o povo. Seus dados não estão em um servidor único, mas em um protocolo (o BlockChain) espalhado pelos nós (usuários BitCoin). Ou seja, quanto mais usuários, mas descentralizado a moeda fica
  2. Criptografia e anonimato
    BitCoin criptografa suas transações para só então trafegar essas transações pelo protocolo BlockChain. Deste modo, somente quem está enviado o dinheiro e quem está recebendo o dinheiro sabe o real conteúdo da transação.
  3. Prova de Domínio
    Ao trafegar pelo BlockChain, a transação é autenticada diversas vezes, em diferentes nós da rede para provar sua veracidade, evitando assim roubos e transações falsas
  4. Dono de seu próprio dinheiro
    Você pode ter sua carteira de BitCoin sem a necessidade de um banco intermediário.  Você é dono de seu próprio dinheiro, só você pode empresta-lo, gasta-lo, doa-lo, ou fazer o que bem intender com ele.
  5. Sem Inflação
    Atualmente, o BitCoin está em processo de criação de moedas, qualquer um pode minera-las e conseguir alguns trocados. Porém, por volta de 2100 esse processo não será mais possível uma vez que irá acabar a quantidade de combinações de criptografia possíveis para a criação da moeda. Neste momento não será mais possível criar moedas, extinguindo assim a inflação que atualmente é causada por alguns países ao colocar mais papel moeda em circulação.

Com a popularização dos BitCoins, iremos ver grandes mudanças na sociedade em que vivemos, governos e bancos terão de se reinventarem totalmente pois não conseguirão mais “Fabricar” dinheiro. Os bancos não terão mais o poder seu dinheiro a outras pessoas cobrando juros para isso, e os governos não conseguirão mais “Imprimir” dinheiro.

A longo prazo essa será uma revolução muito benéfica para sociedade, e mais ainda para nós meros trabalhadores mortais. Mas a médico prazo o que irá acontecer? O que irá acontecer quando os bancos começarem a quebrar? O que irá acontecer quando os governos ficarem sem dinheiro para educação, previdência, saúde e segurança?

Acredito que a médio prazo teremos super-inflação em diversos países, e não poderemos contar com nenhum auxílio do governo, seja para previdência, saúde e/ou segurança.

Então por isso que digo que agora é hora de poupar e multiplicar nosso dinheiro! Só assim poderemos ter um porto seguro nesta mudança de nossa sociedade.

E vocês, o que acham?

Abraços!